terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Mais um Verão passou

Casa de lavoura - Cacia
Fotografia: Carlos Pádua
Texto: Jorge Cunha

Estamos agora neste aido e, olhando em volta, é fácil de ver que mais um Verão passou, há sinais que não enganam, basta ler naquilo que se vê. O aido é, a seu modo, um espelho do correr do tempo: lá está no cabanal a palha do milho, as espigas foram já debulhadas, o grão que doirou na eira à quentura do sol recolheu já ao celeiro, à fundura das tulhas; jazem pelo chão as abóboras, algumas nos telhados, todo o Verão incharam à força do calor e das regas, de mais não precisam para ficarem tamanhas; secaram os feijoeiros e os feijões, ali estão agora as varas encostadas ao muro, terão ainda serventia no ano que há-de vir; cortada está a lenha e empilhada ao abrigo do telhal, não tarda que a lareira se acenda sob a grande chaminé da cozinha, para aquentar as panelas e os corpos.

Vai o tempo fluindo, e nele se consomem os nossos actos quotidianos. E assim, no fluir do tempo, umas mãos hoje, outras amanhã, vão afeiçoando todas as pequenas coisas de que a vida é feita, de que as vidas são feitas.


Sem comentários: